Que mundo é esse??? Onde a beleza é esculpida...

Dias atrás, estava eu zapeando pelos canais da TV fechada, e algo me chamou a atenção. A grande maioria dos canais que exibem clipes musicais continha vídeos apelativos, que sem exagero, beiravam e mais se pareciam com vídeos de conteúdo erótico – só não eram pornográficos, pelo simples motivo de não exibir cenas de sexo explícito. No restante, a exibição de corpos siliconados, malhados e sarados, era evidente.




Mulheres de beleza escultural – literalmente esculpidas – não tinham o mínimo pudor em fazer contorcionismos e malabarismos para mostrar a quem quisesse ver, o padrão de beleza desejado pela humanidade (ou pelo menos, pela grande maioria).

Vivemos na era das falsas aparências, onde o photoshop, o uso indiscriminado do botox, as cirurgias plásticas e o silicone são referências de perfeição!

E aí, fiquei me perguntando: Que mundo é esse?

- Onde o que prevalece é o culto ao corpo ao invés da qualidade de vida;

- Onde a exposição de corpos – e com o perdão das palavras grosseiras, mas leia-se peitos e bundas – iguala-se a uma vitrine de qualquer loja, onde estão expostos os produtos, e basta escolher aquele que mais agrada ou na pior das hipóteses, aquele que o dinheiro pode comprar;

- Onde para estar na moda, à mulher moderna escolhe com quem, como e onde praticar sexo e isso virou motivo para simbolizar sua independência e autonomia;

- Onde a tendência de ter vários parceiros é sinônimo de glamour, de extrema simpatia e poder;

- Onde ser anônimo e não pertencer a um padrão imposto é quase um pecado mortal, que deve ser combatido.

- Onde o privado inexiste, porque a moda é compartilhar todos os momentos, com o mundo inteiro. 


Não quero fazer um discurso moralista, mas chegamos a um ponto onde a decência cedeu lugar para a falta de decoro.

As mulheres obtiveram grandes conquistas, ao longo de várias décadas. Entretanto, estão colocando seu lugar no mundo a perder, toda vez que se colocam como meros objetos de desejo e prazer.

É vergonhoso assistir aos programas televisivos, onde o que dá ibope são mulheres seminuas rebolando, como se tudo se resumisse a uma mera aparência, montada para aquele momento.

Quando os holofotes desligam, fatalmente a beleza termina e o que aparece é a essência – ou melhor – a falta dela...

“O diálogo da mulher se fazia pelas roupas e pelo código da sociedade patriarcal: ela precisa ser tola, impotente e bela e, assim, se tornar o objeto máximo de consumo.
Percebe-se a figura da mulher vestida tanto como sujeito quanto como objeto.”
Fonte:
Acesso em: 04/out/2014
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